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Fevereiro Roxo: pequenas mudanças de comportamento podem indicar Doença de Alzheimer

By 1 de fevereiro de 2021fevereiro 10th, 2021No Comments
Fevereiro Roxo: pequenas mudanças de comportamento podem indicar Doença de Alzheimer

Ele esqueceu de pagar o aluguel. Ela confundiu os trajetos e, em vez de ir ao trabalho, foi ao supermercado. A cada dia, ele fica um pouco mais silencioso e contemplativo, os olhos parecem olhar para o nada. Ela tem pequenos surtos de agressividade e não se lembra de nomes. Não existe um exame laboratorial que simplesmente detecte a doença. Na maioria das vezes, o diagnóstico é consolidado por avaliações clínicas após anos de mudanças comportamentais que, no início, parecem normais ao avançar da idade. A Doença de Alzheimer caminha vagarosamente até tornar a pessoa incapaz dos atos mais corriqueiros. Uma pessoa com Alzheimer transforma a vida de toda a família.

Desde 2014 celebra-se o Fevereiro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a Doença de Alzheimer, mal que acomete cerca de 36 milhões de pessoas no mundo e 1,2 milhão no Brasil. Trata-se de uma enfermidade ainda incurável, equivocadamente referida como “esclerose” ou “caduquice”. Conforme descrito pela Associação Brasileira de Alzheimer, “a doença se apresenta como demência, ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais”.

O advogado Vilson Leoni Sant’Anna tinha 50 anos quando começou, ocasionalmente, a apresentar pequenos lapsos de memória. Foi diagnosticado com Alzheimer 10 anos depois. Hoje, aos 77, já não fala, vive acamado, esboça eventualmente algumas reações. “Ele conserva a capacidade de se emocionar”, conta Maria Lúcia Sant’Anna, sua esposa.

“Nosso cérebro é uma casa em que, com a doença, as luzes vão se apagando. Especialistas afirmam que a última luz que se apaga é a luz das artes, por isso eu ponho música para ele ouvir”, diz Maria Lúcia.

Há uma razão especial para isso: além de advogado, Vilson era músico, um multi-instrumentista virtuoso. Sua mulher narrou à reportagem um acontecimento inusitado. Há cerca de quatro anos, quando ele ainda tinha capacidade de falar, com a memória já praticamente inexistente, ela o fez ouvir uma gravação dele próprio executando uma peça musical. E lhe perguntou: “Você sabe quem está tocando?”. Ao que ele respondeu, provocando nela profunda emoção: “Lógico que sei. Sou eu”.

No caso de Vilson, o Alzheimer, nas primeiras manifestações, tornou-o um gastador como nunca havia sido. Simplesmente perdeu a noção de cuidado com o dinheiro. “Quando ele parou de trabalhar, já não ganhava nada e estava endividado – tudo fruto da mudança de comportamento. Antes, ele nunca fez uma dívida sequer”, descreve Maria Lúcia, professora aposentada que, hoje, dedica-se integralmente a cuidar do marido.

Vilson e Maria Lúcia vivem na cidade de Bauru, no interior paulista, e contam com ajuda dos três filhos, todos já independentes, mas que não têm condições de lhes assegurar todos os recursos financeiros de que necessitam. Eles contam com apoio da Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo, da qual recebem auxílio mensal em dinheiro e medicamentos.

“A ajuda da CAASP tem sido fundamental para que tenhamos um vida digna”, agradece Maria Lúcia.

A ciência ainda não descobriu as razões do surgimento da Doença de Alzheimer em determinados organismos. O que se sabe é que ela decorre do depósito de placas senis de proteína beta-amiloide no cérebro. Outra característica da doença é a redução do número de neurônios e das ligações entre eles – as sinapses -, acarretando redução progressiva do volume cerebral.

Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer, “a certeza do diagnóstico só pode ser obtida por meio do exame microscópico do tecido cerebral do doente após seu falecimento. Antes disso, esse exame não é indicado, por apresentar riscos ao paciente. Na prática, o diagnóstico da Doença de Alzheimer é clínico, isto é, depende da avaliação feita por um médico, a qual irá definir, a partir de exames e da história do paciente, qual a principal hipótese para a causa da demência”.

Hoje a Doença de Alzheimer não tem cura, mas os avanços da medicina permitem que os pacientes tenham maior sobrevida e melhor qualidade de vida enquanto as pesquisas progridem. Além disso, já se demonstrou que atividades de estimulação cognitiva, social e física favorecem a manutenção de habilidades preservadas e a funcionalidade. Mas é importante saber: a quantidade e a qualidade desses estímulos devem ser monitoradas e avaliadas a partir das respostas do paciente.

Embora não seja considerada uma doença hereditária, familiares de pessoas com Alzheimer têm risco maior de desenvolvê-la. Pessoas com histórico de atividade intelectual intensa e alta escolaridade tendem a desenvolver os sintomas em estágio mais avançado da atrofia cerebral, demonstrou-se, pois é necessária maior perda de neurônios para que os sintomas se manifestem. Daí concluiu-se que uma maneira de retardar o processo da doença é a estimulação cognitiva constante e diversificada ao longo da vida.

Hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo são fatores de risco, porém modificáveis. Há estudos comprovando que, controlados tais hábitos, retarda-se o surgimento da Doença de Alzheimer.